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Enxaqueca, a mais comum das dores de cabeça

Jul 06, 2015

Neurocirurgião e professor da Unifesp, Feres Chaddad Neto, explica os principais sintomas, tipos e tratamentos para a enxaqueca.

Quase todo mundo já passou por isso: aquela dor de cabeça latejante, que ataca só um dos lados da cabeça. Apesar de benigna, a enxaqueca interfere ou impede a realização das atividades habituais, causando grande sofrimento.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, 95% da população têm pelo menos uma dor de cabeça ao longo da vida. Cerca de 70% das mulheres e 50% dos homens apresentam pelo menos um episódio ao mês. A enxaqueca ocorre em até 20% das mulheres. 

Mas dor de cabeça é o mesmo que enxaqueca? Não.

Todos sabem o que significa dor de cabeça. Interessante observar que, embora o queixo, o nariz e os olhos estejam situados na cabeça, ninguém que sinta uma dor numa dessas estruturas diz ter uma dor de cabeça. Entende-se como dor de cabeça a dor na região do crânio.

O termo científico para dor de cabeça é cefaleia. A enxaqueca é uma forma de cefaleia, mas não a única. De acordo com a Sociedade Internacional de Cefaleia, há mais de 150 modalidades de dor de cabeça. Em termos médicos, a enxaqueca é designada por migrânea.

A migrânea é uma doença neurológica crônica cuja prevalência na população geral é estimada em 15%, que provoca grande impacto socioeconômico e piora da qualidade de vida dos pacientes. A enxaqueca acomete mais mulheres do que homens em uma proporção de 5:2, pode iniciar na infância ou na adolescência e acompanha o paciente por toda vida.

A migrânea é classificada como uma cefaleia primária, já que a dor por si só é o sintoma principal. Essa afecção acarreta, além do sofrimento individual, prejuízo social e econômico de custo direto (como atenção médica e medicamentos) e indireto (como redução da produtividade e faltas ao trabalho). Ela se caracteriza clinicamente por crise de cefaleia intermitente, de moderada a intensa ou intensa e se apresenta frequentemente em localização unilateral e com sintomas associados. A dor é pulsátil, acompanhada ou precedida por náuseas e fobias sensoriais, que pioram com atividades físicas rotineiras e promove incapacidade. A duração das crises pode chegar a 72 horas quando não são tratadas de forma eficaz.

A fisiopatologia da migrânea ainda não foi completamente elucidada, mas é comprovado que 60% a 80% dos casos de enxaqueca são de natureza genética.

A migrânea pode ser dividida em dois subtipos principais: migrânea com aura ou clássica ou neurológica e migrânea sem aura ou comum. A relação entre a enxaqueca clássica e a comum é de 1:5.

Migrânea sem aura

O tipo sem aura, ou enxaqueca comum, caracteriza-se pelos seguintes critérios: O paciente apresenta ao menos cinco crises de cefaleia com duração de 4-72 horas, quando não tratadas ou tratadas sem sucesso. A cefaleia tem ao menos duas das seguintes características:  localização unilateral, qualidade pulsátil, intensidade da dor de moderada à grave, agravamento da dor por atividade física de rotina (andar ou subir escadas). Durante a crise, pode apresentar pelo menos um dos seguintes sintomas: náuseas e/ou vômitos, hipersensibilidade à luz (fotofobia), aos sons (fonofobia) e a certos odores (osmofobia). Não é atribuível a outras causas.

Migrânea com aura

É a cefaleia precedida de sintomas visuais ou sensitivos. Cerca de 20% das pessoas com enxaqueca apresentam aura. O nome aura refere-se justamente às sensações que você observa um pouco antes da dor de cabeça começar. Esses sintomas iniciais são também chamados de um pródromo. A aura pode durar poucos minutos ou até uma hora, seguidos da dor de cabeça muito forte.

A manifestação mais comum é a chamada aura visual, que pode se apresentar como flashes de luz, manchas escuras em forma de mosaico ou imagens brilhantes em ziguezague - como quando estamos andando em uma estrada e vemos aquele ziguezague de calor que emana do chão. 

Em outros casos, a enxaqueca com aura pode se manifestar como dormências ou formigamentos em apenas um lado do corpo - dependendo da gravidade da enxaqueca com aura, a pessoa pode começar com um formigamento em uma das mãos e ele se espalhar por todo o lado do corpo, chegando a adormecer apenas metade da língua. No entanto, essas manifestações sensitivas da enxaqueca com aura são mais raras. Alguns fatores podem agravar a dor durante uma crise de enxaqueca: abaixar a cabeça ou movimentá-la, principalmente se bruscamente; esforços físicos; esforço mental; e, muitas vezes, o decúbito (posição deitada). Geralmente, a aura começa cerca de 30 minutos antes da enxaqueca, podendo persistir ou não depois que a dor começa.

Fatores desencadeantes

Antes de seguir os conselhos de parentes ou amigos que também sofrem de enxaqueca, saiba que os gatilhos para uma crise são diferentes em cada pessoa, bem como os fatores que ajudam a amenizar os sintomas. Os desencadeantes de uma crise podem ser alimentos, estresse, alterações do sono, jejum, estado climático, alterações hormonais e muitos outros. 

Há inclusive pessoas que não possuem qualquer desencadeante específico. Por isso, o que melhora a crise para uma pessoa pode não ajudar em outra, cabendo a cada um prestar atenção em seus próprios agentes desencadeantes e o que pode ser feito para evitar ou amenizar a dor quando ela vier. Vale a pena procurar se autoconhecer, para identificar se alguns dos fatores são geradores de crise.  

1. Alimentos e bebidas

  • Queijos amarelos envelhecidos
  • Frutas cítricas (principalmente laranja, limão, abacaxi e pêssego)
  • Banana (principalmente d'água)
  • Linguiças
  • Salsichas e alimentos de coloração avermelhada, em conserva
  • Frituras e gorduras
  • Chocolates
  • Café, chás e refrigerantes à base de cola
  • Aspartame (adoçante artificial)
  • Glutamato monossódico (tipo de sal usado como intensificador de sabor, principalmente em comida chinesa)
  • Vinho (principalmente o tinto)
  • Cervejas e chope.

2. Hábitos alimentares e sono

  • Ficar mais de cinco horas seguidas sem se alimentar.
  • Dormir mais ou menos do que o de costume.

3. Variações bruscas de temperatura e umidade do ar

  • Entrada em ambientes frios, estando antes em ambiente quente e vice-versa.
  • Ingestão de líquidos gelados com o organismo aquecido ou suando muito.

4. Fatores hormonais, emocionais e estresse

  • É muito comum mulheres portadoras de enxaqueca apresentarem dor nas fases pré, durante ou após a menstruação, devido à queda do hormônio estrógeno.
  • Muitas mulheres têm as crises pioradas a partir do momento que iniciam o uso de anticoncepcionais orais, também por conta do estrógeno.
  • Na menopausa, muitas mulheres melhoram espontaneamente e voltam a piorar quando iniciam a reposição hormonal.

Tratamento

A terapia da migrânea inclui o tratamento agudo da crise e a profilaxia de longo prazo. O tipo de tratamento a ser seguido deve ser avaliado com base no preenchimento do diário da cefaleia. Assim, a abordagem mais eficiente para o tratamento profilático das migrâneas inclui o afastamento dos fatores deflagradores, tratamento medicamentoso preventivo, uso de medicamentos abortivos - para os momentos de dor - e as terapias acessórias ou não medicamentosas.

Ainda que a enxaqueca com ou sem aura seja uma doença benigna, é fundamental acompanhamento médico para prescrição de medicamento adequado a cada caso, evitando os riscos de automedicação. O diagnóstico de migrânea é essencialmente clínico e o tratamento é específico para cada paciente.


Feres Chaddad NetoSobre o neurocirurgião - Feres Chaddad Neto é graduado em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, com residência em Neurocirurgia pela mesma universidade. Fez especialização (fellowship) em Microcirurgia Vascular e para Tumor pelo Instituto de Ciências Neurológicas, mestrado e doutorado em Neurologia pela Universidade de Campinas (Unicamp), fellowship em Anatomia Microcirúrgica na Universidade da Flórida (EUA). Atualmente é professor adjunto de Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde é chefe da Neurocirurgia Vascular. É neurocirurgião em diversos hospitais no Brasil e no exterior.

Dicas, artigos e entrevistas de Feres Chaddad Neto estão disponíveis nowww.facebook.com/oshowdocerebro e www.twitter.com/oshowdocerebro

 
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