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OPINIÃO | O papel da mulher na sociedade moderna

May 16, 2006

Wilma Motta discute a perspectiva feminina nos grandes temas atuais: inserção no mercado de trabalho, distribuição de renda, reconstrução de valores éticos e participação na política.

OPINIÃO | O papel da mulher na sociedade moderna

Wilma Motta

Por Wilma Motta


A partir da década de 60, a sociedade brasileira passou por intensas transformações sociais, políticas e culturais. Houve reformulação de valores, transformando anseios de toda uma geração. Mas, nem tudo resultou num efetivo avanço.

A liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que resgatava a necessidade de constituição de espaços democráticos para a palavra, acabou por fomentar um individualismo exacerbado, que se constituiu num modo de atuar no mundo, privilegiando um comportamento extremamente egoísta, em que a cultura do “eu acho” passou a dominar as relações, gerando muitas vezes um comportamento prepotente e, por isso, autoritário.

As relações afetivas sofreram modificações do ponto de vista qualitativo, pois passaram a ser conseqüência da relação de consumo estabelecida na sociedade. É o “ficar”, desprovido de qualquer intenção de vínculos afetivos sólidos, em que o consumo nas relações reflete a própria ideologia existente na atual sociedade, o que gera uma permanente insatisfação, frente a cada desejo alcançado. É um modo de vida descartável, tanto de produtos como de pessoas.

A mulher não saiu do fogão e foi direto para o computador, pois o fato de começar a ter maior conscientização de seu papel, tendo também maior necessidade de ingressar no mercado de trabalho, como complementação da renda familiar, nem sempre se traduziu em um alcance de suas necessidades e, muito menos, de seus objetivos e realizações.

O desdobramento dos novos papéis da mulher introduziu-a na “cultura da sobrecarga”, em que “não se tem tempo para mais nada”, obrigando-a a longas jornadas de trabalho, por acumular tarefas dentro e fora de casa, com uma remuneração sempre menor daquela paga ao homem.

Já nos dias de hoje, observa-se que, mesmo com os avanços tecnológicos que permitem a criação de aparelhos eletrodomésticos, cujo objetivo é facilitar as tarefas do cotidiano, a mulher encontra-se, ainda, atrelada ao espaço doméstico, escravizada por um determinismo cultural que não a libertou das suas responsabilidades, impregnadas ao seu papel social. Por quê?

A maternidade ocupa um espaço significativo na vida da mulher. Faz parte do ideário feminino, o que acaba por dificultar a realização de projetos pessoais. A vida profissional da mulher e mãe acaba sendo prejudicada pelo fato deste espaço estar, mesmo nos dias de hoje, circunscrito essencialmente ao ambiente feminino. A participação masculina nas tarefas domésticas sem dúvida aumentou, mas o conjunto das atividades que envolvem a maternidade ainda é um universo típico e quase que exclusivo da mulher.

Na medida em que o exercício da maternidade requer o vínculo da mulher a seus filhos, e por muitos anos, acaba por restringir suas possibilidades de se dedicar ao trabalho. E quando resolve ser mãe tardiamente, a mulher já terá tido tempo e oportunidade para encaminhar sua carreira. Mesmo assim não irá escapar das responsabilidades de seu papel de mãe, o que implica uma sobrecarga por um longo período.

No caso específico da mulher de baixa renda, a sua permanência no mundo do trabalho tem se dado de forma extremamente precária, pois, para que isso seja possível, depende de uma vizinha ou mesmo de um parente, a quem normalmente remunera, para que seja possível dar conta da maternidade, juntamente com seu trabalho. As creches públicas não dão conta de absorver a demanda existente.

Como afirmou Engels, “a mulher só se emancipará quando puder participar, em grande medida social, na produção, e não for mais solicitada pelo trabalho doméstico, senão numa medida insignificante”.

Sem retirar a responsabilidade dos órgãos públicos para a consolidação de um estado de bem-estar mínimo, há que se pensar de que forma a família pode também, a partir de si mesma, começar a exercitar um novo paradigma de relacionamento. Pensa-se, assim, contribuir para a reconstrução de valores morais, culturais, políticos, humanos, sociais etc., tão dispersos na atualidade. Necessário se faz enxergar e ouvir o outro, a fim de viver minimamente a sua dor; condição essencial para o alcance de um mundo melhor, mais justo, mais solidário, mais afetuoso e mais fraterno. Não há reflexão sem escuta de si mesmo e do outro!

É preciso, portanto, que a mulher perceba-se como sujeito histórico na vida cotidiana, pois instituições como a família são fundamentais para a vida em sociedade.

 


Wilma Motta foi presidente do Secretariado Estadual e vice-presidente Nacional do PSDB-Mulher. Atualmente, é membro da Executiva Nacional do partido, onde integra a Comissão de Ética, e é vice-presidente do Instituto Sérgio Motta.

 

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