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Gestão do conhecimento como diferencial estratégico para o profissional de comunicação

Jan 04, 2006

As grandes disciplinas gerenciais abordam com constância a mutação dos cenários, sejam os micros ou macros, de forma segmentada ou generalista, na verdade não importando como eles se apresentam, mas sim o fato de que seu contexto se altera com grande rapidez.

Tais alterações surgem em virtude da forte existência de sistemas globalizados e globalizantes, não há mais a hegemonia de um sob o outro. Uma multinacional em solo nacional tanto oferece processos, procedimentos, comportamentos e outras características globais, como também absorve estes mesmos elementos de forma inversa – ou seja, é possível ser globalizante, mesmo dentro de uma empresa global.

A mudança de cenário torna-se mais acentuada pois as relações de comando também se flexibilizam, afinal na era das redes de conhecimento a centralização e verticalização das estruturas impedem os fluxos contínuos de informação, que bombardeiam tanto as cadeias de comando, quanto o estrato dos comandados.

São justamente esses bombardeios que modificam com incrível velocidade os cenários mercadológicos e é por isso que muitas empresas estão se conscientizando a respeito da questão da Gestão de Conhecimento, como um fator fundamental na tomada de decisões e na definição de cenários com maior rapidez.

No entanto, não caberá a este artigo versar sobre as ferramentas necessárias a uma boa GC para empresas, ao contrário, pois interessa mais aparelhar o profissional de comunicação nessa questão, a fim de que possa tomar tal instrumento como diferencial de carreira.

Obviamente, a torrente de informação que enche caixas de e-mails, que se avoluma nas mudanças de diagramação dos jornais e revistas, que se apresenta nos incontáveis canais da TV a cabo, ou mesmo nos milhares de páginas na internet são fragmentos de um sistema midiático que se expande incansavelmente pelas regiões do globo e, também, para o exterior do planeta povoando outras esferas (satélites, naves robôs etc).

O profissional de comunicação é um dos mais capacitados a entender e dar conta da rede de mídias, sua formação tende a privilegiar a compreensão das diversas linguagens que constituem esse emaranhado de meios de comunicação, portanto de coletar, analisar,  discernir e produzir fluxos de informação que se apresentam de maneira contínua. 

Essas competências do profissional de comunicação se expressam por meio de diferentes instrumentos de marketing os quais ele deve dominar, como assessoria de imprensa, pesquisa de mercado e suas variáveis, sistema de informações de marketing, redes de relacionamento, campanhas de comunicação e assim por diante.

No entanto, há uma defasagem em relação ao modo como as informações devem ser gerenciadas e, conseqüentemente, transformadas em conhecimento.

Nesse ponto a Gestão de Conhecimento se configura como um diferencial valioso ao profissional em sua carreira, afinal lhe oferece, mais do que ferramentas, uma postura conscienciosa a respeito  da cadeia de produção cognitiva individual e organizacional.

Há que se entender que qualquer organização para sobreviver necessita renovar o seu estoque de conhecimentos utilizáveis e rentáveis, o mesmo se dá com o profissional, principalmente aquele que responde pelas áreas de comunicação de uma empresa. Conhecimento está diretamente atrelado a criatividade, pois ninguém consegue criar a partir do nada, sempre deve ter um referencial, algo que sirva de trampolim para a criação.

Muito se fala de aprendizado contínuo como forma de se manter atualizado em relação às novidades que surgem aos milhões nos meandros gerenciais, em qualquer área. No entanto, a questão relevante que se apresenta é a gestão do conhecimento, ou seja, como conhecer tudo o que se deve e colocar em movimento tudo o que se sabe.

Três etapas são essenciais para se conscientizar a respeito do potencial da GC:

  1. Priorizar assuntos/temas;
  2. Documentar fontes de informação;
  3. Desenvolver estratégias de GC.

A priorização dos temas diz respeito não somente ao campo profissional, por exemplo: cotações do dólar, principais novidades em tecnologia de informação, marketing, promoção e merchandising; mas também a assuntos de cultura geral: cinema, teatro, livros (romances, contos, etc), exposições, festas, eventos etc.

Determinar a ordem de importância e agrupar os temas por áreas (profissional, cultural, diversos) é relevante para a construção de uma rede de conhecimento, pois facilita a projeção e planejamento de ações.

Os temas ligados ao aspecto profissional devem, primeiramente, estar em acordo com o negócio da organização, sua frente de atuação e em seguida com áreas mais específicas como: marketing e comunicação.

Por exemplo, em marketing pode lhe interessar a segmentação de varejo; já em comunicação o foco pode ser cultura organizacional.

O importante é que os temas fiquem claros, objetivos e alinhados com a sua perspectiva de crescimento na organização. Lembrando que as mudanças de cenários também atingem as prioridades da sua Gestão de Conhecimento, sendo assim deve haver flexibilidade suficiente para mudar os assuntos e suas prioridades conforme o contexto exigir.

Gestão de Conhecimento deve ser dinâmica e se atualizar para melhor oferecer subsídios às tomadas de decisão.

O item 2 diz respeito ao mapeamento das fontes de informações, pensando com bastante amplitude neste tópico podemos entendê-lo como por exemplo: uma pessoa de notório saber; um meio de comunicação (revista, jornal, site, livro) até mesmo uma conversa informal no corredor.

No entanto, toda fonte deve ser checada, principalmente, informações obtidas na internet, pois sua procedência pode ser deveras duvidosa.

Para cada tema/assunto é interessante pesquisar suas possíveis fontes, determinar origens, período de atualização e grau de confiabilidade. 

Após esse trabalho de levantamento e pesquisa deve-se partir para a formulação de estratégias. Que é a realização prática que se dará para o conteúdo adquirido.

Citarei alguns exemplos de possíveis estratégias de gestão de conhecimento, no entanto, como uma área em constante dinamismo, mais vale a capacidade de análise do profissional de comunicação para saber como suprir suas necessidades, bastando para isso lembrar que a GC é um subsídio para tomadas de decisões, independentemente, do nível hierárquico em que o profissional estiver.

  • Rede de relacionamento e/ou conhecimento: montar grupos por assuntos de pessoas que possam contribuir para o desenvolvimento de algum conhecimento em específico. O que temos nessa estratégia é uma fusão entre networking (reconhecer a influência profissional dessas pessoas) e um fórum de discussão (um e-grupo);
  • Participar de comunidades de aprendizado: a internet está cheia de fóruns que podem beneficiar àquele que está ansioso por conhecimento. Obviamente, nem todo fórum é realmente interessante, por isto é de suma importância verificar a credibilidade do mesmo;
  • Planejar cenários: com base nas informações adquiridas o ideal é projetar cenários (mercadológicos, organizacionais, comunicacionais) que simulem situações possíveis do seu campo profissional, prevendo problemas e como atuar em tais situações;
  • Planejar mapas de conhecimento: onde será possível atuar profissionalmente e que tipo de conhecimento são exigidos;
  • Retorno do conhecimento: mensurar o quanto pode valer seu conhecimento, quais são suas habilidades, competências e de que forma elas poderão ser empregadas e a que custo.

Enfim, são incontáveis as possibilidades e empregos de uma gestão de conhecimento para o profissional de comunicação, principalmente porque ele funciona, na maioria das vezes, como um articulador entre diversas áreas, departamentos, diretorias e pessoas.

Esse conhecimento é essencial para um avanço oportuno na carreira, além do que a GC pode lhe oferecer uma visão mais apurada a respeito de colegas, pois ela nos força a encará-los como fontes de informação, sendo assim, devemos mapeá-los também.

Como última dica, mas não menos importante, fica a indicação de que nem toda informação é interessante, ou pode ser transformada em conhecimento, além disso, conhecimento distribuído, compartilhado ou disseminado não é conhecimento perdido, ao contrário, a medida em que o compartilhamos temos a possibilidade de aumentá-lo, pois ele será absorvido, trabalhado, elaborado por novos atuantes e devolvido.

Todo conhecimento exercitado intelectualmente tende a crescer, mostrar novas perspectivas e possibilidades de atuação. Portanto, desde já exercite o seu.

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Fábio Caim é publicitário de formação, pós-graduado em Comunicação, com MBA em Marketing, Mestrado em Comunicação e Mercado, atualmente fazendo o Doutorado em Comunicação e Semiótica, professor universitário, e consultor da Pluricom Comunicação Integrada na área de comunicação, semiótica e gestão de conhecimento.

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