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Os tipos e as funções da comunicação ao ar livre

Jan 03, 2006

No cotidiano polifônico [1] da mega-metrópole que cresceu de modo desordenado, achar traços de harmonia em suas milhares de ruas, construções, comunicações e regiões pode parecer pura ingenuidade. Entretanto, se os governantes não se preocupam com o modo com que os elementos da cidade avançam, crescem, sobrepõem-se e convivem para montar o mosaico da paisagem urbana, é nela que, contraditoriamente, buscam visibilidade para suas obras e atos de projeção política. A paisagem urbana faz a imagem da cidade, e representa a sua identidade, estrutura e significado, como destaca Kevin Lynch. Está sempre aberta em posição de cartão postal, tem presença marcante aos olhos de qualquer pessoa que nela trabalha, reside ou a visita de passagem. Há muito tempo, a paisagem urbana paulistana sofre de poluição visual crônica. E por muitas vezes, as peças de comunicação exterior, especialmente os outdoors, têm sido apontadas pela imprensa como os seus grandes algozes.

Em nossa opinião, devemos estender a responsabilidade por essa estética ao avesso a todos os ocupantes da cidade. Dentre os milhões de usuários do espaço urbano paulistano, estão os moradores de casas e condomínios residenciais, e, porque não, de cortiços e favelas. Também fazem parte os trabalhadores da indústria, do comércio e prestação de serviços, que exercem os papéis de governantes, legisladores, anunciantes, empresários, empregados, profissionais liberais, lojistas, franqueados e franqueadores, representantes comerciais e outros. Usam o espaço urbano de salas e andares de edifícios comerciais, shoppings, galpões, lojas e galerias; às vezes atuam diretamente nos espaços públicos, como é o caso das barracas de vendedores ambulantes e catadores de materiais recicláveis. Não esqueçamos que a cidade é movimento, representado pelos andares e vôos dos carros, ônibus, caminhões, metrô, trens, helicópteros, aviões. E os giros acrobáticos dos ciclistas, motociclistas e pedestres. Adicionemos ainda, algumas “pitadas” de efeitos da natureza nas raras montanhas, rios, parques e vegetações. A mistura não harmônica desses elementos evidencia o caos urbano, em detrimento às inúmeras leis que regulamentam os diferentes componentes da paisagem urbana. No caso de regulamentação da comunicação exterior, está em vigor a lei municipal 13.525, de 28 de fevereiro de 2003, que orienta a colocação de anúncios na paisagem do Município de São Paulo. Esta lei, entretanto, apresenta texto não didático e confuso na maioria dos seus artigos. Cita as peças e suportes de modo genérico e não contempla a existência de diferentes tipos de comunicação instalados ao ar livre e em outros locais públicos.

Defendemos que para ajudar a organizar a estética da paisagem urbana, é preciso entender, em primeiro lugar, que a comunicação exterior também é necessária. Do mesmo modo que se estabelecem diferentes espécies e formas de vegetações, edifícios, pontes, calçadas, ruas e viadutos, cada peça, obra ou atividade de comunicação exterior tem sua função na paisagem urbana. Em nossa dissertação de mestrado, apresentada em maio de 2004 na ECA-USP, tivemos a missão de classificar os tipos de comunicação exterior externa fixa, que são colocados ao ar livre. Neste artigo, apresentamos os principais pontos que levam a esta classificação, que consideramos uma contribuição importante para o entendimento e regulamentação de toda a comunicação exterior e, conseqüentemente, para melhorar a harmonia estética da paisagem urbana de São Paulo.
 
DA GRÁFICA URBANA AO OUT-OF-HOME  MÍDIA

Historicamente, encontramos vários nomes que como “sinônimos” de Comunicação Exterior: São eles: gráfica urbana, comunicação ao ar livre, comunicação extensiva, comunicação exterior, comunicação visual, comunicação alternativa, propaganda ou publicidade ao ar livre, publicidade exterior, mídia externa, mídia exterior, mídia alternativa, billboard [2], mídia complementar,  mídia extensiva, outdoor, indoor e arte de rua. Outro termo, escolhido especialmente por agências de publicidade, e do qual nos inspiramos para nosso estudo, é o OOH, out of home.

Na definição da Obie Media Corporation [3]  a out of home mídia inclui anúncios, externos e internos, em ônibus, guaritas de trânsito, estações, aeroportos, vias de tráfego, lojas, estradas – em qualquer lugar que os consumidores percorram durante as 24 horas do dia. Terence Shimp [4]  adota Propaganda externa e Outdoor para designar a forma de propaganda pela qual os anúncios são vistos fora das casas dos consumidores. Cita a Propaganda externa como uma mídia complementar que inclui: propaganda de painéis, anúncios em pontos de ônibus, infláveis gigantes, propagandas em trânsito (anúncios pintados em ônibus e caminhões, displays em shopping centers, publicidade aérea, camisetas bordadas com logotipos de marcas, etc). Ângelo Franzão [5] define o out-of-home (OOH) mídia, como todas as possibilidades e canais de comunicação ao ar livre e ambiente externo. Na opinião de Rubens Damato [6] ex-presidente do Sepex, Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior do Estado de São Paulo: “a comunicação exterior, como o próprio nome já diz, é uma comunicação fora das residências. Nos Estados Unidos existe uma designação para esse tipo de comunicação que é mídia out-of-home. E há outras, como mídia exterior, mídia externa, outdoor, ao ar livre. Essa comunicação exterior tem duas características básicas que a diferenciam das outras mídias. É o único tipo de comunicação que tem três dimensões e a única que é absolutamente compulsória. Ou seja, basta a pessoa sair de casa para ser atingida pelas nossas mídias. As outras mídias não têm três dimensões e necessitam de uma ação do público alvo, seja ligando a televisão, seja comprando e lendo o jornal para poder ser atingido pela mídia”. Para Luiz Roberto Valente [7], presidente da Central de Outdoor, a palavra que melhor define a Comunicação Exterior é o Outdoor, que vem de Outdoor Advertising, que é mídia exterior nos Estados Unidos. “O grande apelo da mídia exterior é ser uma mídia compulsória. Basta você sair para a rua para estar exposto a ela. A mídia exterior é, realmente, a mídia mais pura que existe, pois é diferente de outros veículos como a televisão, o jornal, a internet que têm editoriais”, afirma Valente.

De todas estas definições, o entendimento do sentido de out-of-home nos indica para onde vai a exterioridade da Comunicação Exterior. Ou seja, o exterior [8] representa os locais fora da residência do público. Assim, entendemos a Comunicação Exterior como o conjunto de todos os tipos de peças e meios de comunicação cujas mensagens ficam expostas, abertas, e que são emitidas e recebidas ao ar livre. Os locais de ocorrência  (emissão e recepção da mensagem) pertencem aos seguintes cenários: 

  1. Elementos urbanos: ruas, calçadas, terrenos (muros e tapumes), praças, ilhas de avenidas, edifícios (jardins, fachadas, laterais e tetos), outros; 
  2. Áreas internas ou externas de lojas ou centros de compras (shoppings, supermercados, galerias, etc), estações de transporte (aeroportos, estações metroviárias, rodoviárias e ferroviárias); 
  3. Locais fechados de empresas públicas ou privadas, como pátios de fábricas, áreas de convivência de funcionários, etc; 
  4. Locais de realização de eventos promocionais ou sociais (parques, centros de convenção); 
  5. Superfícies de veículos de passeio ou transporte (ônibus, táxis, caminhões, metrô, aviões, dirigíveis, bicicletas, camisetas ou corpos de pessoas etc).

A partir deste conceito, dividimos a Comunicação Exterior por tipos de cenários e mobilidade ou não da peça. Pelos tipos de cenários, anteriormente identificados, a Comunicação Exterior traz duas subdivisões: Comunicação Exterior Externa [9] (em ambientes externos abertos ou ar livre propriamente dito) e Comunicação Exterior Interna [10] (em ambientes externos fechados). Associada à variável mobilidade, ela pode ser segmentada em quatro grupos: Comunicação Exterior Externa Fixa, Comunicação Exterior Externa Móvel, Comunicação Exterior Interna Fixa e Comunicação Exterior Interna Móvel.

AS FERRAMENTAS, OS FORMATOS E O CENÁRIO DE RECEPÇÃO DA COMUNICAÇÃO EXTERIOR

Entre as ferramentas que fornecem “munição” para a criação e produção das peças de Comunicação Exterior, encontramos especialmente a utilização de Comunicação Visual, Promoção de Vendas, Merchandising de Ponto-de-venda, Eventos, Publicidade, Comunicação de Endomarketing e Comunicação de Marketing Pessoal. Quando falamos de peças de comunicação, consideramos que sejam compostas por um conteúdo (texto e/ou imagem), sua forma (tratamento dado ao conteúdo) e seu suporte. Este último, o suporte, é o elemento que dá sustentação, a dimensão para que a peça se materialize. 

Indiscutível é a importância dos suportes na comunicação, ajudando a “vestir” embalagens [11], transmitir notícias impressas (papel para jornal e revista) e eletrônicas (tela da TV e da internet), recepcionar histórias e informações contidas nos livros e guardar momentos como nas poses celulóidicas ou digitais dos filmes. Na comunicação exterior ao ar livre, os suportes têm um significado muito especial, pela sua versatilidade ou transformismo. Espalham seus tentáculos em todas as direções do cenário da cidade e vão gerando um caótico mosaico de espaços de letras, imagens e símbolos visuais. Ora na função de bases, ora como sustentáculos das peças, ajudam a viabilizar, desde pequenos formatos, como cartazes e placas que identificam lojas, até gigantográficas [12] como as empenas [13] de edifícios. Permitem a produção de formatos em dimensões padronizadas (como o outdoor), e dão sustentação a criações especiais, redondas, com apliques [14], com partes que se movem, na forma de objetos.

Para peças de percepção prioritariamente visual, como é o caso dos formatos ao ar livre, os suportes ajudam a compor os contornos, indicam ao observador os eixos de direção da mensagem (frontalidade, horizontalidade, verticalidade), a natureza de sua forma (bi ou tridimensional; uso de textura ou não), o tipo de material e as suas dimensões. Quando apropriadamente mimetizados às peças, os suportes favorecem e complementam a leitura dos formatos, como lembra Moreno “passando para um plano secundário da observação do transeunte, exercem papel de pano de fundo, tornando-se apenas os suportes não aparentes, configurando-se dados naturais [15]”. Ao contrário, quando no papel de estruturas, destacam-se mais do que os formatos, causam estranheza ao público e agridem a paisagem. 

Podemos classificar os suportes utilizando duas variáveis: mobilidade e características físicas. Pela possibilidade ou não de movimentarem-se no cenário urbano, os suportes podem ser chamados de fixos ou móveis [16]. São fixos, quando servem de apoio ou estão vinculados a elementos estáticos, como as estruturas dos painéis e dos outdoors. São móveis quando se sobrepõem ou fundem-se a objetos ou meios de transportes, por exemplo, à uma sacola que estampa a marca de uma loja, ou à parede de um vagão de metrô. Baseando-nos em suas características físicas, podemos sub-classificá-los em: suportes- materiais, suportes-superfícies, suportes-estruturas e suportes-pessoais. Prováveis “descendentes” do papiro e do pergaminho, os suportes-materiais são representados pelos papéis, plásticos, metais (aço escovado,  alumínio, cobre, flandres, ferro etc), vidros, madeiras, cimento, cerâmicas, tecidos, fibras de vidro, e outros. Inspirados nas pinturas de paredes das cavernas, os suportes-superfícies têm como exemplos as paredes, muros, janelas, portões, postes, portas, toldos, telhados, fachadas, carrocerias de carros, peruas, ônibus, caminhões, aviões e até o corpo humano. Os suportes-estruturas projetam-se horizontal e verticalmente, às vezes assemelhando-se a “dinossauros ou pássaros gigantes congelados”. São representados por totens, postes e grandes chapas metálicas de todos os tipos, armações de madeira, caixas de plástico,  tubulões e chapas metálicas espaciais, revestimentos de fachadas e outros. No último grupo estão os suportes- pessoais, representados pelo corpo humano, que os recebe ou transforma-se no próprio material de informação mercadológica, institucional ou pessoal. É o corpo humano agregando bolsas, camisetas, bonés, as placas que andam sob as costas do “homem sanduíche” e, no caso de tatuagens, virando suporte-material.

Mas, se de um lado as peças e os suportes de comunicação exterior estão prontos para levar as mensagens até os públicos, de outro os públicos devem ter condições de recebê-los em contextos determinados. Esses lugares onde ocorrem as recepções das mensagens são chamados cenários de recepção. Em qualquer uma das situações de Comunicação Exterior, ao ar livre ou em ambientes externos fechados, é preciso determinar os locais nos quais as peças ficam instaladas nos cenários. Ou seja, é preciso haver espaços nos locais para serem ocupados pelos espaços formados pelos conjuntos de peças e respectivos suportes. Também deve existir algo que faça a ligação entre esses dois espaços. Vamos chamar de meios todos os canais que viabilizam os contatos dos espaços das peças com os espaços de recepção. Há de se observar, entretanto, que os meios diferem nos modos com que fazem chegar as mensagens até os públicos-alvo. Para cumprir suas funções, muitos meios utilizam seus próprios suportes, espaços e emissores. Alguns meios exercem, basicamente, a função de transporte de formatos até os espaços de recepção, a exemplo da internet (Ex.: pop-up, e-mail), do correio (Ex.: brinde) ou da promotora de vendas quando entrega um folheto ao motorista de um carro. Há meios que podem ser considerados suportes-emissores e vice-versa. Como é o caso das faixas e banners. Outros meios são ou viram os próprios suportes-emissores do local, por exemplo, os muros na colagem de cartazes. Além destes, existem os meios que comercializam espaços próprios para a divulgação de espaços de formatos. Estes são denominados veículos ou exibidoras e comercializam quase que exclusivamente espaços para formatos de publicidade. Em comunicação exterior, os custos dos espaços são calculados em função do tempo de permanência na paisagem. E variam de acordo com o tipo de veículo: outdoor, relógio de rua, painel, empenas etc.

Na escolha dos locais para colocação dos formatos na paisagem é importante observar, antecipadamente: quais são as regiões e espaços permitidos por lei para a instalação. Da mesma forma, verificar se os espaços dos locais dos meios escolhidos estão regularizados. E respeitar, acima de tudo, as referências naturais, históricas, turísticas, cidadãs e de direitos de propriedade do município, ou seja os locais públicos.

De volta ao cenário - local de recepção da mensagem - vamos pensar no exato momento em que o destinatário está recebendo a mensagem. Percebemos que ele identifica apenas um único foco de contato, composto pela fusão da peça+suporte+meio+emissor. Ou seja, a mensagem é transportada para o último elemento de contato entre a peça de comunicação do anunciante e o público. A esse último suporte-canal-emissor de comunicação chamamos de mídia. Deste modo, consideramos como mídias todos os formatos (visuais, sonoros, aromáticos, táteis, aromáticos ou palatáveis) que representam canais de comunicação, identificando a marca de um anunciante ou autor para um público. Se for através de um veículo de comunicação ou exibidora, a mídia passa a ser chamada de mídia veiculada. Como definimos, para serem mídias, as peças devem estar identificadas, isto é trazer uma referência (marca, nome símbolo) de um anunciante responsável pela mensagem. Ao contrário, aquelas que estão na paisagem, mas não estão identificadas, cumprindo um papel ornamental (Ex.: grafite ou mural de autor desconhecido) ou não devem ser identificadas, pois representam uma informação de primeira grandeza ou de utilidade pública (Ex.: todas as placas de sinalização de trânsito), são denominadas não mídias.

OS TIPOS E AS FUNÇÕES DA COMUNICAÇÃO EXTERIOR EXTERNA FIXA

A Comunicação Exterior Externa Fixa representa o grupo mais numeroso e expressivo de peças de comunicação exterior. Para classificá-la levamos em consideração as seguintes variáveis: 

  1. Foco da mensagem: o que está sendo divulgado (elementos, objetos, etc); 
  2. Função da mensagem: porque está na paisagem (intenção); 
  3. Tipo de ferramenta de comunicação utilizada (comunicação visual, promoção de vendas, publicidade e outras) 
  4. Principais peças fixas: mídias, mídias veiculadas, não mídias 
  5. Local mais indicado: local próprio, ocupado ou comercializado; 
  6. Tempo de intervenção na paisagem.

E, como resultado, dividimos a Comunicação Exterior Externa Fixa em: Identificativa, Publicitária, Promocional, de Eventos, Explicativa, Sinalética, Artística e Espontânea.

A Comunicação Exterior Externa Fixa Identificativa funciona para identificar locais operacionais de empresas, lojas, entidades ou profissionais, representados pelos seus respectivos elementos de identidade visual:  as marcas ou signos de comando (sinal gráfico, sinal tipográfico e cores), os nomes das atividades que exercem e dados de endereço. Sua ferramenta básica é a comunicação visual. Importante lembrar que as peças de CE Externa Fixa Identificativa têm um caráter permanente e não fazem parte de campanhas de comunicação. Suas peças, portanto, devem manter formatos pequenos e médios, uma vez que têm a função de localizar o endereço ou espaço físico no qual está instalada a loja, a empresa, o consultório ou escritório profissional. Muitas lojas, utilizam e divulgam serviços de estacionamento, 24h, drive thru, para os quais defendemos uma padronização visual.

Um sub-tipo de Comunicação Exterior Externa Fixa Identificativa é a Patrocinada que destaca os elementos de identidade visual de empresas, entidades ou profissionais que patrocinam ou são representados por outras empresas, entidades ou profissionais. É o caso de revendedores autorizados de produtos (Ex.: eletrodomésticos, automóveis etc), lojas de serviços de manutenção, representantes, distribuidores exclusivos de uma marca (Ex.: bebidas) ou distribuidores multimarcas. Neste caso, é preciso tomar cuidado para que a marca do patrocinador não tenha um formato maior do que a marca do lojista.

A Comunicação Exterior Externa Fixa Publicitária contempla o conjunto de mídias conhecido por Publicidade Exterior e Mídia Exterior. Suas principais peças precisam ser veiculadas ou seja, necessitam da compra de espaços em veículos de comunicação, ou exibidoras, que fornecem os locais para emissão de suas mensagens. São anúncios em outdoors, painéis, placas de esquina, relógios com informações de tempo ou temperatura, empenas cegas, topos de prédios, triedros, painéis eletrônicos, abrigos de pontos de ônibus e outras peças do chamado mobiliário urbano. Também são publicitários os anúncios em cartazes, banners, faixas, colocadas arbitrariamente ao ar livre, e por isso considerados mídias não veiculados.

Na Comunicação Exterior Externa Promocional incluem-se todos os tipos de peças de promoção de vendas e de merchandising de ponto-de-venda. Neste tipo de Comunicação Exterior, geralmente colocados em vitrines ou fachadas de lojas, anúncios em banners, displays, faixas divulgam promoções e “vendem” benefícios  ou promessas de ganhos monetários aos seus diferentes públicos. Arranjos e decorações de vitrinismo e facing [17] em produtos convidam os públicos a visitarem as lojas.

A Comunicação Exterior Externa de Eventos  é uma comunicação especificamente dirigida a identificar e promover eventos e locais de eventos. Inserida na paisagem de modo pontual, é representada por anúncios em faixas, banners, totens e, especialmente, por infláveis de grande formato, lembrando marcas e embalagens produtos.

A Comunicação Exterior Externa Explicativa compreende os tipos de peças utilizadas para explicar, didaticamente, as características de obras de arte, e também de engenharia e urbanismo na cidade. Chamadas por Issao Minami de Sinalizadores Informacionais [18], as peças, (painéis, plaquetas) devem trazer mensagens predominantemente de caráter informativo, amigável e informal. No caso de obras artísticas, as peças servem para fornecer a interessados os nomes de autores e datas de esculturas, pinturas, murais e outros. Servem, também para dar informações históricas, culturais, ecológicas, sociais e turísticas. Para obras de engenharia, como viadutos, túneis e outros,  as peças informam período da obra, valor, nomes de construtores, conscientizando a população para futuros transtornos que essas podem ocasionar.

A Comunicação Exterior Externa Sinalética inclui o conjunto de peças de sinalização viária [19], que seguem os padrões do código de regulamentação de trânsito. Servem para garantir segurança aos motoristas, pedestres, visitantes e turistas nas formas de utilização de diferentes vias públicas (Ex.: ruas, avenidas, viadutos, etc); orientar direções e circulação para dentro e para fora das regiões da cidade (Ex.: bairros, parques, aeroportos, estações, etc); direcionar consumidores nas áreas externas de shoppings, supermercados etc.; orientar moradores e visitantes nas vias particulares e entradas de condomínios. Utilizam como ferramenta básica a comunicação visual e suas principais peças - como placas, plaquetas, totens -  contém sinais, frases e pictogramas. Para Sandra Maria Ribeiro de Souza [20] os pictogramas “que estão cada vez mais presentes em objetos e locais do cenário ambiental, sinalizam os comportamentos socialmente adequados às mais variadas situações da vida cotidiana”.

O conjunto de peças de sinalização viária da Comunicação Exterior Externa Sinalética é composto por: 

  1. Sinalização horizontal que inclui a placa PARE (advertir) e sinalização de solo com faixas pintadas; tachas refletivas; tachões ou pequenos blocos de concreto de 6 cm de altura; picolés ou blocos de concreto de 12 cm de altura, lombadas; placas. 
  2. Sinalização vertical que traz um conjunto de placas redondas (de 50 a 75 cm de diâmetro) com fundo branco, tarjas vermelhas e símbolos ou letras pretas (Ex.: Proibido estacionar, Estacionamento regulamentado etc.); placas compostas (Ex.: Permitido parar, obrigatório uso de cartão no horário de... a...,etc); painéis; semáforos em cruzamentos; radares fixos; lombadas eletrônicas; registradores fotográficos de infração ao semáforo; registradores de infrações em faixas exclusivas; faixas exclusivas de ônibus; placas de ruas luminosas, e outras. 
  3. Sinalização de indicação ou orientação, composta por placas com setas de encaminhamento, como VIRE À ESQUERDA, VIRE À DIREITA. 
  4. Sinalização de situação indicam pontes, viadutos. 
  5. Elementos de ações operacionais: cones, cavaletes, fitas e backligts intermitentes. 
  6. Suportes/estruturas complementares: postes, cabos em postes de fixação, pavimentos das ruas etc.

Chama-se Comunicação Exterior Externa Artística a que inclui mensagens de caráter ornamental ou decorativo. Alia arte, arquitetura e comunicação. Dentro deste tipo de Comunicação Exterior estão os trabalhos planejados ou encomendados de muralismo [21] ou arte mural [22] e intervenções urbanas ou de arte pública, feitos em pinturas a óleo, afrescos, grafites, cerâmicas, esculturas, colagens, vitrais e outras técnicas. Segundo o arquiteto Carlos Lemos [23] considera-se mural a pintura executada em muro ou parede, geralmente em grandes dimensões, tratada de modo particular pelo artista, como complemento de decoração e painel a grande superfície decorada – tanto no interior como no exterior de edifícios – com o uso de mosaicos, pastilhas, porcelana ou cerâmica. Entre os artistas atuais, que têm projetos na paisagem de São Paulo, destacamos Cláudio Tozzi com seu painel de fachada do Edifício Exclusive, Av. Angélica, 2016 e painel no Metrô Sé; Takashi Fukushima, que faz trabalhos em arte pública, (site specific) e assina murais como os do Viaduto Santa Ifigênia e Maurício Freedman [24] com algumas intervenções (painéis pintados) em becos, vielas e escadas, como na rua Gaspar Lourenço. Idealizado e realizado com o apoio de professores de arte em muros e postes da Vila Madalena, o Projeto 100 Muros reflete o grande potencial deste tipo de comunicação exterior e como pode contribuir para o embelezamento da paisagem urbana.

Finalmente, registramos a Comunicação Exterior Externa Espontânea que leva para a paisagem diversos tipos de intervenções pessoais, com necessidades também muito diferenciadas, desde a venda de um objeto, o oferecimento de um serviço de aula particular, até uma declaração de agradecimento ou de amor. Algumas situações apóiam estratégias de marketing pessoal, no qual o anunciante divulga seu posicionamento, estilo de vida, atividade, “dotes” e outros. Apesar de algumas peças trazerem um certo ar de qualidade gráfica, estas comunicações têm caráter informal, amador e pouco planejado. Outras peças espontâneas traduzem a linguagem de “tribos” com seus signos codificados e frases ilegíveis, na forma de pichações. São soluções de imagens, signos e textos através da utilização de diferentes ferramentas como publicidade (Ex.: banners, faixas, cartazes), promoção (Ex.: cartazes); pintura; os grafittis – aqui entendidos como uma inserção anárquica na paisagem - pichação e outros. São peças aplicadas em espaços públicos e privados, sem qualquer autorização formal. Algumas técnicas como a pichação, podem exercer um efeito degradador ao cenário no qual se inserem.

Notas e referências bibliográficas

  1. CANEVACCI, Massimo. A cidade Polifônica. São Paulo, Studio Nobel, 2004.
  2. Bilboard: o mesmo que cartaz, outdoor ou painel. RABAÇA, Carlos Alberto; BARBOSA, Augusto Guimarães. Rio de Janeiro: Campus, 2002, p. 69.
  3. Obie Media Corporation é uma empresa de Boozeman, Montana EUA, que é a maior fornecedora norte-americana de produtos e serviços de out-of-home ). Out-of-home advertising includes ads on and in buses, transit shelters, transit stations, airports, malls, stores, roads – anywhere consumers travel during the course of a day. www.obie.com/prod_serv/ps.html, 25/9/2002, 18/01/04.
  4. SHIMP, Terence. Propaganda e Promoção. Aspectos complementares da Comunicação Integrada de Marketing. Porto Alegre: Bookman, 2002, p. 297-300.
  5. FRANZÃO, Ângelo.  Mídia – função básica. In. PREDEBON, JOSÉ (org.). Propaganda: profissionais ensinam como se faz. São Paulo: Atlas, 2000, p. 35-37.
  6. DAMATO, Rubens. Ex-Presidente do SEPEX. Depoimento em 20 de maio de 2003. Local : SEPEX. Entrevistador: Luiz Fernando Cury. São Paulo. 
  7. VALENTE, Luiz Roberto. Presidente da Central de Outdoor e da Exibição Publicidade. Depoimento em 21 de outubro de 2002. Local: Exibição Publicidade. Entrevistador: Luiz Fernando Cury. São Paulo.
  8. Exterior: o que está na parte de fora; o que está por fora; a parte de fora de uma casa. Novo Dicionário AURÉLIO da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, p. 745.
  9. Externo: o que vem de fora, sinônimo de exterior. Aurélio, p. 745.
  10. Interno; que está dentro; antônimo de externo. Aurélio, p. 959.
  11. Para maiores informações ver: MESTRINER, Fábio. Design de embalagem, curso avançado. São Paulo: Prentice Hall, 2002, p. 71-89.

  12. Gigantográfico: que usa a gigantografia,  recurso de ampliação de fotolitos para a impressão de peças em grandes formatos. SABADIN, Celso. Outdoor, uma visão do meio por inteiro. São Paulo: Central de Outdoor, 1997 (2ª ed.) p. 34.

  13. Empenas: formatos ue são aplicados em edifícios, nas paredes laterais que não contém janelas, chamadas de empenas cegas.

  14. Recursos aplicados na peça para personalizá-la.
  15. MORENO, Carlos A.B. et.al. A Gráfica Urbana. São Paulo: IDART, Depto. de Informação e Documentação Artísticas da Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo, 1982, p. 44-47.
  16. Ibid. MORENO, 1982, p.42.
  17. Facing é uma das atividades de merchandising de ponto-de-venda que têm como objetivo destacar visualmente as faces de embalagem dos produtos.
  18. MINAMI, Issao. Projeto de comunicação visual como ferramenta de disseminação da educação ambiental no caminho da sustentabilidade para o Complexo Ambiental Itaipu, Refúgio Biológico Bela Vista. Foz do Iguaçu, 3/5/2002, p. 10.
  19. SILVA, Daniel Cassetari da, engenheiro da CET, coordenador dos projetos de sinalização. Depoimento em 18 out. 2003. Local: CET. Entrevistador: Luiz Fernando Cury. São Paulo. 1 fita cassete (60 minutos), mono. SILVA, José Geraldo. Código de Trânsito Brasileiro Anotado. Campinas: Bookseller, 1998.
  20. SOUZA, Sandra Maria Ribeiro. Conteúdo, forma e função no design de pictogramas. In: Corrêa, Tupã Gomes. Comunicação com o mercado. São Paulo, Edicon, 1995.
  21. Muralismo: expressão utilizada por Jacob Klintowitz. Jornal da USP, AnoXVIII, nº 610, 26/8 a 1º/9/2002, p.10.
  22. Arte mural: expressão utilizada por Maria Cristina André Campos, dissertação de mestrado, FAU-USP, 2001, p.3.
  23. LEMOS, Carlos A.C. Dicionário da Arquitetura Brasileira. São Paulo: EDART, 1972.
  24. FREEDMAN, Maurício. Palestra em 20/05/02, na disciplina de Percepção e imagem: estudos visuais para aplicação do sistema de comunicação visual urbana, do Prof. Dr. Issao Minami, Pós-Graduação da FAU/USP, Rua Maranhão, São Paulo.
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Luiz Fernando Cury é publicitário, pós-graduado em Marketing pela ESPM e mestre em Comunicação pela ECA, USP. Trabalhou nas áreas de criação e planejamento em agências de publicidade, como Chancela, Setor e Lage&Magy; e nas áreas de comunicação de empresas como Volkswagen e Philips. Atualmente atua como consultor da Pluricom Comunicação Integrada nas áreas de Comunicação e Marketing, especialmente para Comunicação Exterior, Comunicação de Endomarketing e Branding.

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